Duas, do
Blog do Josias.
1. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste sábado, em Washington, que a solução para a crise financeira global está nas mãos dos países ricos.
Segundo Lula, “a melhor solução para evitar que a crise se alastre são os países ricos resolverem seus problemas”.
“Não adianta ficar procurando medidas paliativas, se não resolver primeiro os problemas da política econômica americana e européia”, disse Lula, pouco antes de entrar para a sessão plenária do G20.
Lula disse que a situação nos Estados Unidos é “delicadíssima”, mas que o presidente Bush “tem que assumir a responsabilidade de que ele é o presidente até o dia 20 de janeiro e não pode ter vacilações sobre o tratamento da crise”.
Lula participou na sexta-feira de um jantar na Casa Branca, oferecido aos chefes de Estado pelo presidente americano George W. Bush.
“Eu disse que não vamos abdicar de nossa finalidade, que é fazer o Brasil crescer”.
Dinheiro nos mercados
Um dos assuntos, de acordo com Lula, foi a liquidez do sistema financeiro mundial, especificamente sobre o dinheiro que está sendo colocado à disposição dos mercados.
“Uma coisa que eu disse aos países ricos é que eles tratem de fazer com que esse dinheiro chegue na ponta”.
O presidente brasileiro também falou aos outros líderes que, quando era metalúrgico, tinha que fazer “60 horas extras por mês” para comprar uma televisão.
“Não é justo que alguém fique bilionário sem produzir uma folha de papel. Por isso é preciso que tenha uma regulação séria do G20”.
Uma das propostas do governo brasileiro, segundo ele, é que as questões financeiras globais passem a ser tratadas permanentemente pelo G20 – e não mais pelo G8 (grupo de países ricos, mais a Rússia).
O presidente disse ainda que o Brasil tem um pontencial de crescimento interno que “os países desenvolvidos não têm”, e que a força da demanda interna pode ajudar o país a passar de forma mais confortável pela crise.
Gente, qual o patrimônio do Luiz Inácio? Quanto ele já trabalhou??
2. Partidos comunistas de 59 países se reúnem em SP
Num instante em que o G20 busca saídas para a crise do capitalismo, o Brasil vai sediar um encontro dos sobreviventes do comunismo no mundo.
Será no próximo final de semana, em São Paulo. O nome é pomposo: 10º Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários.
Começa na sexta (21). Termina no domingo (23). O número de participantes revela algo insuspeitado: são muitos os sobreviventes dos escombros do Muro de Berlim.
Por ora, confirmaram presença 73 (!) legendas comunistas de 59 países. O leque é variado. Vai da Albânia aos EUA.
O PCdoB abriu no seu portal uma janela para trombetear a reunião. Ali, descobre-se que o “tema” a ser debatido é de uma pluralidade inaudita:
“Novos fenômenos no quadro internacional. Contradições e problemas nacionais, sociais, ambientais e interimperialistas em agravamento...”
“...A luta pela paz, a democracia, a soberania, o progresso e o socialismo e a unidade de ação dos Partidos Comunistas e Operários”.
José Reinaldo Carvalho, secretário de Relações Internacionais do PCdoB, diz que a reunião terá, neste ano, um “significado especial”.
Afinal, escreve ele no sítio do partido, dezenas de partidos irão debater a conjuntura mundial com um olhar especial para a crise do capitalismo.
Otimista, José Reinaldo acha que as conclusões do encontro “certamente são aguardadas tanto pelos que apóiam quanto pelos que se opõem aos comunistas”.
Afirma que “que não se pode ignorar a influência que os partidos comunistas têm”.
Quem ouve José Reinaldo fica com a impressão de que perdeu alguma coisa ao não tomar conhecimento dos nove encontros que precederam a reuniao do Brasil.
“Sempre que os partidos comunistas se manifestam com clareza sobre um determinado assunto [...] esse posicionamento acaba repercutindo e influenciando ações de outras agremiações políticas”.
As estrelas de São Paulo são os partidos comunistas que, no dizer do PCdoB, “conduzem experiências de construção do socialismo em seus países”.
A lista inclui três tipos de comunismo: o moribundo de Cuba, o carniceiro da Coréia do Norte, e os neocapitalistas do Vietnã e da China.
É improvável que o encontro altere os rumos do planeta. Mas é preciso louvar a pertinácia dos remanescentes do comunismo.
Certa vez, intimado por um jovem a revelar sua posição política, o poeta Carlos Drummond de Andrade aconselhou:
“Menino, se você não é comunista, vá sendo logo, que é para deixar de ser depressa. Eu já fui e larguei”.
A reunião do próximo final de semana demonstra que muitos ainda não largaram. Ainda nem se deram conta de que idéias, mesmo as não usadas, também enferrujam.
Querem lugar melhor para o tal encontro que nossa São Paulo, que sediou a primeira reunião e emprestou seu nome ao malfadado Foro?
Meus conterrâneos, pêsames a todos nós!